Guia Completo da Cartomancia

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Guia Completo da Cartomancia

A cartomancia é muito mais do que um jogo de adivinhação, embora muitos acreditem nesta ideia. Na verdade, ela é um sistema de interpretação de símbolos e arquétipos, capaz de revelar tendências e iluminar o que está oculto.

Neste guia completo, você entenderá tudo sobre o que é a cartomancia, qual a sua origem, quais as diferenças entre os baralhos e como ela pode te auxiliar a ter uma vida melhor. Acompanhe!

Afinal, o que é a Cartomancia?

Pensando na origem da palavra, ela vem da junção de charta (carta) e manteia (profecia), que nos faz entender que a cartomancia seria o uso das cartas para enxergar ou acessar informações que não estão claras ao nosso consciente.

Diferente do que os filmes e livros nos mostram, uma cartomante não lê o futuro. O que acontece é que nós, cartomantes, conseguimos interpretar os símbolos para analisar as tendências e previsões dos caminhos, considerando todo o seu contexto de vida e situacional.

Considerando Jung, nós lemos a sincronicidade, ou seja: tudo o que acontece em um determinado momento, considerando as qualidades deste momento em si. Trazendo para a prática, quer dizer que as cartas espelham as nossas ações e desejos no agora.

Também podemos pensar que as cartas são um espelho da nossa psique. Elas utilizam arquétipos, que são imagens universais que todos nós reconhecemos, para dar forma aos nossos sentimentos e situações que ainda não conseguimos nomear.

Ler cartas é, portanto, um estudo de semiologia: o estudo dos signos e seus significados dentro de um contexto.

Origem e História da Cartomancia

A origem da cartomancia é, por si só, um dos maiores segredos do ocultismo. Não existe um consenso absoluto sobre quando ou onde a primeira lâmina foi desenhada, mas é justamente nesse hiato que reside a magia das cartas.

A Tradição Oriental: tabletes e imperadores

Como citam os antigos registros chineses de 1678, a cartomancia pode ter nascido de um jogo inventado por um oficial do exército para o imperador Huei-Song (ou S’uen-ho).

Antes das cartas de papel, o destino era lido em superfícies rígidas. No Extremo Oriente (China, séc. IX), o imperador Huei-Song já consultava tabletes de marfim — os antepassados do dominó — para prever o sucesso de suas batalhas. Esse conceito de “sorte numerada” viajou pela Rota da Seda, encontrando os Guerreiros Mamelucos no Egito.

Foram eles que introduziram o sistema de quatro naipes que usamos até hoje: o Na’ibi. Quando essas cartas chegaram à Europa no século XIV, elas já carregavam a carga mística de povos que viam nos símbolos uma forma de comunicação com o divino.

O Renascimento Italiano e os Triunfos

O baralho de Tarot mais antigo conhecido data de 1450, em Milão: o Visconti-Sforza. Originalmente, essas 22 cartas extras (os Arcanos Maiores) eram chamadas de Trionfi (Triunfos). No design original do jogo, elas serviam literalmente para “triunfar” ou vencer as cartas comuns.

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Visconti Sforza – Reprodução: Pinterest

Longe de ser apenas um passatempo de taberna, esse Tarot da Renascença era profundamente filosófico, carregando influências do Hermetismo e do Neoplatonismo. As imagens da Justiça, da Roda da Fortuna e da Morte não eram aleatórias, mas sim, ícones que toda a nobreza da época compreendia como leis da vida.

O Labirinto de Teorias: Da Atlântida aos Cátaros

Como bem define Rachel Pollack, o Tarot é um mosaico cultural. Existem dezenas de “origens legítimas” que diferentes escolas de mistério defendem com veemência. Mais do marcos cronológicos, essas teorias representam a linhagem espiritual que o tarólogo escolhe acessar.

O Livro de Thoth: O Sobrevivente de Alexandria

Esta é talvez a teoria mais célebre, popularizada pelo pastor Antoine Court de Gébelin no século XVIII. Segundo esta vertente, o Tarot seria o único remanescente físico das chamas que devoraram a Biblioteca de Alexandria.

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Deus Toth – Reprodução: Pinterest

Os sacerdotes egípcios, prevendo a queda da sua civilização, teriam codificado os segredos do universo (o Livro de Thoth) em imagens, assumindo a forma de um grimório perigoso, escondido nas profundezas do rio Nilo para que ninguém pudesse acessá-lo.

Em 1944, Aleister Crowley publica o Tarot de Toth, utilizando o sistema da Thelema para reinterpretar os símbolos do tarot, misturando elementos da astrologia, cabala e alquimia.

A Herança dos Cátaros: O Código da Resistência

Uma teoria fascinante liga o Tarot aos Cátaros, um grupo cristão gnóstico do sul da França que foi brutalmente perseguido pela Inquisição no século XIII. Como eram proibidos de pregar, eles teriam criado o Tarot como um sistema mnemônico de resistência.

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Cátaros – Reprodução: Aventura na História

As cartas seriam um mapa visual da sua doutrina (o caminho da alma em busca da luz, livre do peso da Igreja material), disfarçadas de entretenimento para passarem despercebidas pela censura de Roma.

O Código de Pitágoras: A Geometria Sagrada das Imagens

Para os estudiosos da numerologia esotérica, o Tarot é a aplicação prática das leis de Pitágoras. Nesta visão, as 22 cartas dos Arcanos Maiores não são desenhos aleatórios, mas sim a expressão visual das proporções sagradas e dos números que regem a criação.

Cada lâmina funciona como um portal para entender a harmonia do cosmos, onde o número da carta (como o 7 do Carro ou o 10 da Roda) é tão importante quanto a imagem que ela carrega.

A Lenda de Fez: O Esperanto dos Símbolos

Uma das histórias mais enigmáticas sugere que, por volta de 1200 a.C., sábios e mestres de diversas partes do mundo se reuniram na cidade de Fez, no Marrocos. Percebendo que a humanidade falava línguas cada vez mais distantes e que o conhecimento corria o risco de se fragmentar, eles decidiram criar um idioma visual universal.

O Tarot seria esse “esperanto místico”: um sistema de símbolos (o Mago, a Imperatriz, o Eremita) que qualquer pessoa, em qualquer época ou país, pudesse entender através da intuição, sem a necessidade de palavras.

A Conexão com a Atlântida e a Cabala

Pollack também menciona vertentes que veem no Tarot o alfabeto perdido da Atlântida, trazido para o Egito após o naufrágio do continente.

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Reprodução: Pinterest

Essa teoria se entrelaça com a Cabala Judaica, onde os 22 Arcanos Maiores correspondem perfeitamente aos 22 caminhos da Árvore da Vida e às 22 letras do alfabeto hebraico, transformando o baralho em uma ferramenta de ascensão espiritual e contato com o divino.

A Era dos Mestres: Etteilla, Lenormand e a Aurora Dourada

A cartomancia que praticamos hoje deve sua estrutura a figuras icônicas que “limparam” a poeira dos séculos:

  1. Etteilla (Jean-Baptiste Alliette): O primeiro cartomante profissional. Ele uniu as cartas à astrologia e criou o primeiro baralho puramente esotérico em 1788.
  2. Mademoiselle Lenormand: A vidente de Napoleão. Embora o baralho de 36 cartas (Baralho Cigano) leve seu nome por marketing editorial, foi o seu prestígio que popularizou a leitura de cartas em toda a Europa.
  3. Pamela Colman Smith: A artista da Ordem Aurora Dourada que, sob influencia de Arthur Waite, criou o baralho Rider-Waite-Smith. Ela foi a revolucionária que desenhou a simbologia que atravessa décadas e histórias.

Como a Cartomancia funciona?

Para entender como a cartomancia funciona, imagine que a nossa mente é como um iceberg: o topo, que vemos acima da água, é o nosso consciente (nossas decisões lógicas), mas a parte submersa é o inconsciente, onde guardamos memórias, intuições e padrões que nem percebemos que temos. Os baralhos e oráculos funcionam como uma ferramenta de “escaneamento” desse iceberg.

O ponto central aqui é que o Tarot utiliza os arquétipos para representar experiências comuns a todo ser humano, como o medo da perda, a busca pela sabedoria ou o início de um novo ciclo.

Do ponto de vista da psicologia analítica, essas imagens funcionam como gatilhos que trazem à tona informações que já estão dentro de você, mas que a sua mente racional ainda não conseguiu organizar ou admitir.

Além da psicologia, muitos estudiosos utilizam a teoria dos campos morfogenéticos para explicar essa conexão. Essa ideia sugere que existe uma rede invisível de informações que interliga as pessoas e os eventos. Ao abrirmos um baralho, as cartas funcionam como “antenas” que captam a frequência do seu momento atual nessa rede.

É por isso que a cartomancia não deve ser vista como uma adivinhação de um destino cravado em pedra, mas sim como a leitura das previsões e tendências da vida, e com esse mapa em mãos, você deixa de ser refém do acaso e passa a usar o seu livre-arbítrio para decidir se deseja manter a rota ou mudar de direção.

IMPORTANTE: aqui, não estamos considerando, ainda, os sistemas e práticas espirituais, como atendimentos mediúnicos. Este tópico será comentado a parte.

Tarot ou Baralho Cigano: qual escolher?

Essa é muito dúvida muito comum para quem é iniciante ou entusiasta da cartomancia, mas a verdade é que vai depender da sua preferência, e a seguir, te explicamos como cada um deles funciona.

Tarot

Podemos afirmar que o tarot é o sistema mais complexo, porém mais profundo. Com suas 78 cartas, ele é ideal para quem busca autoconhecimento e análise psicológica por meio dos símbolos.

Dividido em Arcanos Maiores e Menores, ele representa tanto o “eu” quanto as situações ao nosso redor, ajudando a compreender as situações em sua completude, independente do deck escolhido.

Além disso, o tarot foca no “porquê” das coisas, sendo possível enxergar padrões, tendências, comportamentos e tudo o que pode ser visto como um reflexo das nossas escolhas, sejam elas conscientes ou inconscientes.

Lenormand ou Baralho Cigano

Mesmo com as discussões acerca do nome, o Lenormand é mais direto, prático e fofoqueiro (mas no bom sentido, claro). Diferente do tarot, ele possui 36 cartas, com símbolos do cotidiano e do nosso agora.

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Reprodução: Pinterest

Ele é interessante para quem deseja um oráculo mais prático e direto, sendo ideal para ler situações mais concretas, como trabalho, amor, dinheiro e até mesmo espiritualidade.

Curiosidade: mesmo tendo origem francesa, o Lenormand ganhou o coração (e a intuição) do povo cigano, se tornando um oráculo associado à eles, de onde vem a nomenclatura Baralho Cigano, muito conhecida no Brasil.

Cartomancia online funciona?

Esta é uma das maiores dúvidas da era digital, e a resposta curta é: sim, com toda a certeza.

Para entender o porquê, precisamos retomar o conceito de que a cartomancia não depende de proximidade física, mas de sintonia energética.

Como vimos anteriormente, as cartas funcionam como antenas que captam informações de um campo coletivo. Na física quântica, existe o conceito de entrelaçamento, que sugere que partículas podem estar conectadas independentemente da distância entre elas.

Na cartomancia, ocorre algo semelhante: no momento em que a cartomante e o consulente se conectam (seja por vídeo, áudio ou chat) com uma intenção clara, o “campo” da leitura é estabelecido.

A eficácia do jogo depende da concentração e dos conhecimentos do oraculista e da abertura do consulente, e não de estarem na mesma sala. Além disso, a consulta online oferece o conforto do seu próprio ambiente, o que muitas vezes ajuda o consulente a relaxar e a se abrir mais para as mensagens.

Resumindo tudo até aqui

  • Cartomancia não é jogo de adivinhação, mas sim, a leitura das previsões e tendências através da sincronicidade.
  • Tarot ou Baralho Cigano? Depende do que você precisa no momento: use o tarot para questões mais profundas e o baralho cigano para respostas mais práticas e objetivas.
  • Conexão não tem distância. É possível sim ter uma boa consulta de tarot online a partir do entrelaçamento quântico e da intenção.

Concluindo…

Seja através do peso histórico dos Arcanos do Tarot ou da objetividade prática do Baralho Cigano, as cartas estão aqui para nos lembrar que não somos reféns do destino.

Ao entender a história, a mecânica e a simbologia por trás de cada lâmina, você deixa de ser um espectador passivo e passa a ser o autor da sua própria jornada. O Portal das Sombras é o seu espaço para explorar esses mistérios com seriedade e respeito.

Para mais conteúdos sobre esoterismo, tarot, baralho cigano, astrologia e magia, nos acompanhe diariamente aqui e no Instagram!

Fontes deste artigo

  1. A Bíblia Clássica do Tarot – Rachel Pollack. Darkside Books, 2023.
  2. Cátaros: A Heresia dos Séculos – Aventura na História.

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